Projetos apoiados pela ABIY Edital 2024

Projetos apoiados pela ABIY democratizam a prática de Iyengar Yoga  em diferentes estados do País

Acompanhe o andamento dos projetos sociais selecionados no primeiro edital da ABIY, o “Edital n° 001/2024 de Apoio a Projetos de Ensino de Iyengar Yoga para Populações em Situação de Vulnerabilidade”. Conduzido pelo Comitê Especial de Projetos Sociais da ABIY (CEPS), o edital tem como objetivo democratizar o ensino do método Iyengar Yoga no Brasil e prevê apoio financeiro aos projetos selecionados pelo período de 12 meses. Todos os projetos oferecem atividades de forma gratuita.

 A ABIY espera que os projetos desenvolvidos sirvam de inspiração para novas iniciativas. Em breve, será lançado o 2º edital. Fiquem atentos(as)!

Iyengar Yoga para pessoas surdas e falantes de Libras – Florianópolis (SC) 

O projeto conduzido pela professora Monica Auga tem como objetivo oferecer aulas de Iyengar Yoga adaptadas para a comunidade surda, utilizando Libras, a Língua Brasileira de Sinais, como meio de comunicação. Semanalmente, ela oferece aulas presenciais para a comunidade surda na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e aulas on-line, abertas a pessoas surdas de outras  regiões do País.

Com início em 2019, o Yoga para pessoas surdas integra o projeto de extensão da UFSC,  Yoga e Meditação para Todos. Em 2023, o projeto recebeu apoio financeiro da ABIY e, em 2024, Monica foi uma das contempladas no primeiro edital da Associação. Atualmente o projeto atende cerca de 15 pessoas surdas, e esse número deve aumentar com uma nova parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Para Monica, a necessidade de adaptação na forma de ensinar as posturas e desenvolver as  instruções em Libras está entre os principais desafios do projeto.

Inclusão – Além de oferecer as aulas em libras online e presencial Monica decidiu implementar uma nova experiência: as pessoas mais dedicadas são incluídas nas turmas regulares da professora, junto com ouvintes. Para ela, as aulas mistas têm permitido que alunos surdos avancem ainda mais no aprendizado, como é o caso de Maicon Marques. “As aulas junto com os ouvintes têm sido bastante produtivas”, conta o aluno. “Gostei muito pelo fato dos participantes serem bem ativos nas aulas. Mesmo a aula sendo bem ativa, a professora se comunica comigo em Libras com a atenção de sempre”,  diz ele.

Para Monica, as aulas mistas são mais desafiadoras e complexas, principalmente no formato on-line,  pois ela tem que lidar com a comunicação oral e gestual, além de questões que comumente já se apresentam nas aulas , como dor lombar e período menstrual, por exemplo. Mônica recorda: “Eu sempre me questionava se era possível dar aula para surdos e ouvintes juntos. Foi bem desafiador, mas fiquei muito feliz com o resultado”, comemora. A professora afirma ainda  que as aulas exclusivamente em Libras são muito importantes e  fazem a diferença para os alunos surdos, devido à comunicação acontecer em sua primeira língua, Libras. Para Monica, a inclusão e a conquista de maior autonomia dos participantes são os principais benefícios do projeto. 

 

Iyengar Yoga para Mulheres 60+ – Paranoá (DF)

 Uma vez  por  semana, a professora Leandra Fatorelli, oferece em Brasília, aulas presenciais para mulheres com mais de 60 anos, na sede do Centro de Cultura e Desenvolvimento de Paranoá (CEDEP), uma entidade sem fins lucrativos que atua em prol da educação e cultura na região.

Nesse espaço de encontro e acolhimento, essas mulheres redescobrem a alegria de mover o corpo e acalmar a mente em aulas focadas em mobilidade, fortalecimento e bem-estar mental. As alunas são integrantes do grupo de convivência “Voz da Experiência” e muitas apresentam condições físicas limitantes, como artrite, fibromialgia, problemas cardíacos, entre outras questões, inclusive psicológicas, como solidão e estresse. O projeto, que teve início em março de 2024, atende uma média de 20 alunas por aula, variando de acordo com as condições de saúde e disponibilidade das participantes.

Segundo Leandra, a falta de estrutura e de acessórios de yoga está entre os principais desafios do projeto. As limitações físicas das alunas exigem constante adaptação das posturas devido a questões como dores crônicas e rigidez articular. Nesse momento, as paredes e cadeiras são grandes aliadas e servem como apoio na execução dos asanas.

Superação – Entre os benefícios do projeto, Leandra aponta uma grande melhora na postura, na mobilidade e no fortalecimento muscular das alunas, além da diminuição da ansiedade e maior segurança nas atividades diárias. Uma das participantes, inclusive, vem se recuperando de um quadro de saúde no qual precisava utilizar cadeira de rodas. Com as aulas de yoga, somadas ao tratamento médico, a aluna Maria de Lourdes conseguiu dar um grande passo em direção à sua própria independência. Ela conta que estava usando cadeira de rodas pois não conseguia andar e mover os braços e quadris. Para ela, o trabalho corporal da yoga no primeiro semestre foi maravilhoso. “Graças a Deus, estou fora da cadeira de rodas e já sou capaz de andar com mais segurança, o suficiente para me manter mais independente!”, comemora.

Leandra conta que as alunas relatam o fortalecimento de vínculos afetivos no grupo, a sensação de acolhimento e inclusão, e maior controle da ansiedade e do estresse. Para a aluna Maria Delsione da Silva, por exemplo, um dos  maiores desafios é lidar com a ansiedade. Ela relata  que as aulas com foco na respiração a ajudaram a controlar e perceber as crises. “Quando a ansiedade quer tomar conta de mim, aprendi a respirar, sentir e trazer as coisas para o aqui e agora”.

 

Iyengar Yoga para a saúde de todos – Sorocaba (SP)

O Projeto Cajuru – Yoga para a Saúde oferece aulas de Iyengar Yoga para pacientes e trabalhadores da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Cajuru, bairro de Sorocaba, interior de São Paulo. Desde março de 2025, cerca de 35 mulheres são beneficiadas com aulas semanais conduzidas pela professora Adriana Ramos, sob supervisão da professora sênior Renata Ventura.

O projeto, aberto a todos, atraiu um público 100% feminino. A ideia inicial era oferecer uma aula para cidadãos atendidos pela UBS e duas aulas mais curtas para a equipe local, formada por médicos, enfermeiros,  agentes comunitários, técnicos e atendentes. Houve tanta adesão das pacientes da Unidade, que foi necessário dividir a turma. Atualmente, o projeto oferece aulas às terças-feiras em  dois horários para a comunidade e um para os trabalhadores da UBS. 

O objetivo das aulas é levar saúde física e mental para os participantes por meio da prática de Yoga focada em alinhamento corporal, alongamento e mobilidade, além de mostrar como esse conhecimento milenar  ajuda a desenvolver um estado de presença e auto observação que pode ser levado para o dia-a-dia. Um exemplo disso é o relato da aluna Vera Marques, que conta que estava em frente à pia e começou a sentir dor no quadril.  “Imediatamente, lembrei da posição da montanha. Foi instantâneo corrigir a postura”, relembra.

Para Adriana, entre os desafios do projeto está a falta de acessórios usados no método Iyengar, como cobertores e cintos, que ajudariam muito as alunas, em sua maioria com mais de 60 anos. Elas utilizam blocos, levados pela professora a cada aula, além de cadeiras e tapetes fornecidos pela UBS. A boa notícia é que recentemente a indústria têxtil Fibratex, localizada em Sorocaba, doou 10 mantas para o projeto. Outro desafio é a baixa adesão dos trabalhadores da Unidade, já que a maioria não consegue deixar seu posto de trabalho para participar. 

Saúde física e mental – De acordo com relatos das próprias alunas, a diminuição de  dores e a sensação de bem-estar são alguns dos benefícios do projeto. É o caso de Eliane Fernandes Rodrigues. “Pedi para a professora Adriana para fazer uma aula experimental porque achei que não iria gostar. Hoje não vivo mais sem ela. Faz bem para a minha circulação pois tive trombose”, conta. “A yoga faz com que eu alongue o corpo, assim não sinto dor. Estou me sentindo muito bem e  feliz”, relata. Para Adriana, a receptividade, a frequência e o entusiasmo das alunas comprova o sucesso do  projeto.







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