Entrevista com Jawahar Bangera

Entrevista com Jawahar Bangera
Por Fernando Garcia

Quando, como e por que você começou a praticar yoga?
De 1964 a 1969 estudei em um internato. Quando voltei para casa, após concluir os estudos, minha família estava fazendo aulas de yoga com B.K.S. Iyengar. Então foi natural que eu também me interessasse pela prática. Comecei em 1969 sob a orientação de Guruji.

Como você se tornou professor de yoga?
Quando jovem, ao entrar nas aulas de yoga, ensinar estava longe dos meus pensamentos. Nunca me ocorreu que eu daria aulas algum dia.
Mas em 1980, um dos alunos de Guruji, o Sr. Burzo Taraporewala, entrou em contato comigo. Ele dava aulas no Clube Taj Mahal. Um dia, em abril, ele me procurou dizendo que iria aos Estados Unidos por três meses e perguntou se eu poderia substituí-lo. Respondi que pensaria a respeito.
Mais tarde naquela mesma semana, Guruji veio a Mumbai para o casamento da filha de um dos seus alunos. Guruji e vários alunos, incluindo eu, estavam jantando juntos. Ele então trouxe à tona o assunto do ensino. Disse: “Este aqui”, apontando para o Sr. Taraporewala, “vai para os Estados Unidos por três meses, por que você não dá as aulas dele?” Então eu perguntei: “Guruji, você acha que eu sou capaz de ensinar?” E ele respondeu: “Sim, você é capaz de ensinar.” Aceitei o convite ali mesmo, na mesa.
Foi assim que comecei. Não havia desejo ou intenção de ensinar, mas a oportunidade surgiu. Desde 1980, ensino yoga.

Enquanto isso, você trabalhava em outra área?
Sim, tínhamos um negócio familiar. Naquela época, as aulas de yoga eram fora do horário comercial: das 7h às 9h da manhã e das 18h às 20h, à noite. Funcionava bem, o ensino não interferia no trabalho.

Quantos anos depois você decidiu trabalhar exclusivamente com yoga?
Em 2002 fechamos nosso negócio. As aulas já estavam acontecendo, então pensei: “Por que não continuar ensinando?” E, novamente, pela graça de Deus, funcionou. Desde então, ensino em tempo integral.

Foi uma grande mudança em sua vida?
Não realmente, a transição foi suave. Após o fechamento do negócio, apenas passei a dedicar atenção total às aulas de yoga.

Houve algum sacrifício?
Não. Mais uma vez, foi pela graça de Deus… e também pela graça do Guru. Nada do que mencionei teria acontecido sem essas duas graças.

Yoga e sociedade

Como você sente que a prática do yoga pode beneficiar a comunidade ou, em uma perspectiva mais ampla, a sociedade?
Não se começa em grande escala. O indivíduo é parte da sociedade. À medida que a pessoa melhora, os outros seguem o exemplo. É assim que se expande. Você não pode dizer a todos para fazer yoga de uma vez.
Como estudante de yoga, espera-se que você siga os Yama e Niyama.
– Os Yama (Ahimsa, Satya, Asteya, Brahmacharya, Aparigraha) são para o benefício da sociedade.
– Os Niyama (Shaucha, Santosha, Tapas, Svadhyaya, Ishvara Pranidhana) são para a prática pessoal e o benefício do indivíduo.
Ao praticar esses princípios, a sociedade se beneficia — e, com isso, toda a humanidade. É assim que o yoga faz a diferença.

Você acha que os asanas ajudam a entender melhor os Yama e Niyama?
Sim. Por exemplo: a violência. Quando você é agressivo na prática, se machuca — e aprende o impacto da violência em si mesmo. Então, não deseja mais causar violência aos outros.
Os asanas ensinam:
– como ser não-violento consigo,
– como ser honesto consigo,
– como não exagerar em um lado do corpo e negligenciar o outro (Asteya),
– e como conservar energia em vez de dissipá-la (Brahmacharya).
Guruji nos ensinou que não adianta apenas dizer “não seja violento, não roube, diga a verdade” — as pessoas não escutam. Mas ao praticar asanas, esses princípios emergem naturalmente. É um aprendizado reverso.
Patañjali diz que Yama e Niyama vêm antes de Asana — ou seja, é preciso seguir esses princípios antes de estar qualificado para aprender asanas.
Mas hoje em dia ninguém segue, e já começa pelos asanas. Ainda assim, os alunos vêm para a aula, e podemos guiá-los — e assim a sociedade melhora.

Sobre ensino e prática pessoal

Quantas aulas por semana você recomenda para um iniciante?
Se possível, pelo menos duas por semana, com dois dias de descanso entre elas. Isso mantém a continuidade. Isso deve continuar até que o aluno desenvolva sua prática pessoal.

E quando o aluno deve começar a praticar sozinho?
Quando o professor perceber que o aluno entendeu o asana e como praticá-lo com segurança.
No início, o aluno não sabe o que corrigir — e isso pode levar meses. Se ele tentar antes da hora, pode se machucar. Aí vai ao médico e ouve: “Não faça yoga”. E o aluno pode desistir da prática.

Sobre ser professor de yoga

Na sua opinião, qual o principal propósito de um professor de yoga?
Há muitos propósitos. Recomendo ler os artigos do Guruji no livro Basic Guidelines for Teachers of Yoga (RIMYI) — é o melhor sobre o tema.
Mas, principalmente, é preciso honestidade. Verdade e compaixão no ensino. Tratar o aluno com o mesmo respeito que se teria por si mesmo.

E a ideia de serviço?
Se seu objetivo é dinheiro e lucro, você verá o ensino como um negócio. Mas ensinar deve ser visto como serviço. A nobreza deve estar presente. O dinheiro virá — com a graça de Deus e do Guru. Olhe para o ensino como serviço nobre. Aí você ensinará bem.

Pergunta final curiosa: Por que você gosta tanto de montanhas-russas?
É a emoção!
Você sente algo, mesmo que não esteja pilotando. É como assistir a uma corrida de Fórmula 1 mesmo quando você não dirige um carro de Fórmula 1. Isso é chamado de satisfação vicária. Você se alegra vendo algo que talvez nunca faria. Por exemplo, se você não joga tênis, mas sente alegria ao assistir ao jogo, você sente alguma satisfação ao vê-lo. A montanha-russa proporciona algum tipo de emoção, velocidade, aventura, reviravoltas repentinas e inesperadas, como na vida.
A montanha-russa dá emoção, velocidade, reviravoltas — como a vida. Às vezes estamos no alto, outras vezes embaixo. Podemos aproveitar a vida da mesma forma como aproveitamos um passeio de montanha-russa!

 

 

Confira a versão original no endereço abaixo: https://namaskara.blogs.com/yoga/2017/04/interview-with-jawahar-bangera.html

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Workshop Internacional Internacional com Jawahar Bangera 

Data: de 27 a 30 de novembro de 2025

Local: Colégio Fernão Dias  

Rua Euclides da Cunha, 70 – Centro – Osasco SP 

(O colégio fica a 3 quadras da estação Osasco da CPTM e do Shopping Super).

Clique aqui e inscreva-se:

Modo online:
https://eventosabiy.associatec.com.br/Evento/workshop-internacional-com-jawahar-bangera-on-line

Modo presencial:
https://eventosabiy.associatec.com.br/Evento/workshop-internacional-de-iyengar-yoga-com-jawahar-bangera

 

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